FILOSOFIA CLÍNICA

A Filosofia Clínica é a Filosofia produzida ao longo de mais de 2.500 anos direcionada à clínica, realizada por filósofos graduados em Faculdades de Filosofia. Colegas de outras áreas podem cursar esta pós-graduação como uma especialização e utilizar os ensinamentos, em caráter introdutório, em suas áreas. A Filosofia Clínica abrange milhares de professores, especialistas, mestres e doutores em dezenas de cidades brasileiras.

MÓDULOS AVANÇADOS EM FILOSOFIA CLÍNICA
Aulas de Lúcio Packter, Hélio Strassburger e Mônica Aiub - julho, setembro e outubro.
Aulas de 09:00 às 17:00 hs. em um sábado de julho, setembro e outubro. EM DATAS A SEREM CONFIRMADAS.
20 horas/aula
VAGAS LIMITADAS
Investimento: R$ 480,00 ou em três parcelas de R$ 160,00.
PRÉ-INSCRIÇÕES ABERTAS: filosofiaclinicabh@gmail.com
_______
AS PEDRAS DE GOIÁS VELHO
Vânia Dantas
Filósofa Clínica
Uberlândia - MG
Santuário, andor, altar, escada na cidade histórica. Retratos de um tempo que está ficando passado mas que a gente talvez tenha que revisitar.
A cada dia a mensagem no programa matinal na TV elogia a retomada das forças e dos valores; ao que parece, enterrados em várias pessoas. E, de repente, viram flores. Esses são relances de quando o ouvinte se sente bem e tem ousadia de planejar agir, enquanto aos primeiros passos já é preciso parar e repensar a viabilidade do projeto, pois há desequilíbrio devido à compressão medular.
A degeneração precoce leva a pensar em como se resgatar do chão e como viver uma terceira em tenra idade. A ambigüidade de uma vida assim confunde: a idade cronológica, a biológica e a que a estética revela. E também porque não há deficiência, mas doença e dor; parece não haver soluções garantidas, mas paliativos com efeitos colaterais. E o que pedem é ‘descanso’, quando se está cansado dos repousos forçados.
São questões do corpo que atormentam tanto a parecer que ele ocupa todo o tempo, o abstrato se foi, ficou na estrada... por algum tempo a vida acaba sendo tão dura quanto as pedras de Goiás Velho.
Por que o andor deve ser pesado.
Por que os nichos têm pedras arredondadas, para harmonizar a colocação dos seres minerais.
Por que para se chegar ao santo se beija as pedras.
Como os nichos que trazem imagens escondidas por entre as pedras, aí está a essência. Almas se escondem em corpos perfeitos e sentimentos horríveis...
Por instantes inspirados é possível imaginar um apanhador de sonhos, solto no campo de flores de ervilha; emocionalmente se volta no tempo e recolhe cada sonho para continuar lutando/vivendo; e se debruça também sobre a realização deles, em detalhes; o reforço das crenças, a confiança na vida. A importância desse momento talvez só possa ser entendida por quem já perdeu algum dia as esperanças, por completo. Como se diz, viver assim é "morrer em vida". É a mais pura realidade.
Enquanto há vida, há que se lutar, mesmo que os movimentos se despeçam, os músculos não obedeçam e o esqueleto pese; mesmo que o corpo se torne independente, suas ações se tornem involuntárias e se queira andar pra esquerda, mas vá para a direita.
Dia desses, havia uma cadeira de rodas na vizinhança, mas não era na garagem, vazia; esse aparelho era como um auxiliar, equipamento para continuar a exercer atividades, assim como a bengala, a muleta, o andador. Ou como o carro. Na recusa daqueles, pode-se usar de “bengalas humanas” – e há quem aparentemente não precise, mas usa.
O andar cambaleante, um efeito da doença degenerativa da coluna, traumatiza bastante, assusta, algumas vezes lembra os impedimentos e as limitações que a vida impõe de forma prematura. Assim, a pessoa pode ver-se jovem e ao mesmo tempo velha; um sorriso deslumbrante e instantes depois, ou mesmo concomitantemente, as lágrimas de dor caindo. Parece que o equilíbrio se torna latente, alternado, tanto nas emoções quanto no corpo.
Existe a noção de que enquanto há vida é preciso continuar; em muitos momentos é preciso se forçar em algumas atividades para que lá na frente se chegue ao alívio... talvez o mesmo alívio que se sente algumas vezes na vida, como quando se livra da rinite e consegue respirar normalmente o ar, um alimento que já não dói nas mucosas e consegue entrar em grande volume, absorvido com vontade igual a quando se tem muita sede. Ou quando se estanca uma hemorragia, de repente, e não se vê mais o corpo indo embora aos poucos.
Em alguns momentos é possível um reviver, como se voltasse ao normal, o metabolismo normalizado, a vontade de viver, o brilho, a sensualidade. A dor continua, tal vizinha má que a gente deixa de lado. Até quando? Um resultado que não se esperava mais – um dia sem dor - é um presente.
As doenças crônicas exigem um amadurecimento muito grande, por um lado. Subindo os degraus, às vezes há recaídas. Vários desafios vencidos – talvez, se anunciados antes, provavelmente não teriam sido aceitos. Assim, as pedras das cidades históricas e às margens das cachoeiras marcam muito; as inclinações, os formatos, os tamanhos, como se todas fossem obstáculos a gerarem sustos, medos, incredulidade.
E, de alguma forma, talvez sejam as pedras as próprias metáforas da vida; de que se tem uma história muito única de limitações ao mesmo tempo em que de talentos. E para suportar viver com isso, somente saindo de si, somente buscando objetivos além do normal, as atividades não regulares, adaptações e saber conviver com contratempos constantemente, com cada desequilíbrio (de insegurança), cada pontada (como se de faca), cada irradiação aguda (como um corte).
Durante as manutenções, mais conhecidos por tratamentos, aos poucos se consegue refletir sobre algumas coisas muito importantes para se achar meios de enfrentar o período de sofrimento físico; existem os baques e parece ser preciso força demais pra enfrentar, mas quando se decide a isso, esta é a motivação. É como uma provação em que se tivesse que firmar as raízes em termos de fé, de persistência e de ousadia, até mesmo para retomar os projetos de vida.
Mas, enfim, há pessoas que precisam ser tão forte como as pedras.
Daí, um último pensamento no qual se pode encontrar uma explicação para que a vida tenha sentido. Ele pode ter um valor enorme, quando alcançada a sua verdadeira dimensão. É o lema dos maratonistas de Uberlândia, associado à imagem de Ayrton Senna: "pain is temporary; proud is forever".
As pedras a se enfrentar...
************
O FILÓSOFO CLÍNICO, PROF. WILL GOYA, ENTREVISTA PAULO GIRARDELLI QUE SE AUTODENOMINA "O FILÓSOFO DE SÃO PAULO"
(30/Mar) Entrevistando o filósofo Paulo Giraldelli (
http://www.filosofia.com.br/vi_entr.php?id=23)
Responsável - Will Goya
Professor, filósofo clínico
MINI-CURRÍCULO:
Paulo Giraldelli -
http://ghiraldelli.pro.br
Paulo Ghiraldelli Jr é filósofo e escritor. Doutor e mestre em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Doutor e mestre em filosofia da educação pela Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo (PUC-SP). Tirou seu ?pós-doc? pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sua livre docência pela Unesp, onde também foi o professor titular concursado. Paulo Ghiraldelli é bacharel em filosofia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Licenciado em Ed. Física pela Escola de Ed. Física incorporada à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Atualmente, Paulo Ghiraldelli Jr. dirige o Centro de Estudos em Filosofia Americana na cidade de S. Paulo, Brasil.
É autor renomado com dezenas de livros e artigos publicados e traduzidos em várias línguas. Entre os mais recentes, estão Filosofia e História da Educação Brasileira, Barueri: Manole, 2009; O Corpo - filosofia e educação, São Paulo: Ática, 2008; e O que é filosofia contemporânea, São Paulo: Brasiliense, 2008.
A ENTREVISTA:
Professor Giraldelli, você se definiria como um filósofo profissional?
Paulo Giraldelli - A filosofia não é uma profissão. É uma atividade da vida diária, incessante enquanto se está vivo. Eu vivo a filosofia. Nada faço sem ela. Nada mesmo. Não sou filósofo que, para ser filósofo, dá aulas de filosofia ou a utiliza em alguma profissão. Não, sou filósofo no sentido grego na conta do que Foucault viu em Sócrates: aquele que falou do "conhece-te a ti mesmo" no sentido de "cuida de ti mesmo". Cuido de mim no sentido que construo minha vida como um contínuo filosofar. Não faço isso porque quero. Tentei fugir disso (veja no
http://filosofia.pro.br: "O menino que fugia da filosofia"), mas não pude. A filosofia me agarrou. Minha investigação acadêmica e os momentos em que fui professor são banhados de filosofia, como minha vida cotidiana. Mas sei, perfeitamente, que sou mais filósofo fora deles do que neles, uma vez que neles, paradoxalmente, não sou tão livre quanto o necessário para a filosofia. Instituições possuem suas regras e elas dificilmente são compatíveis com os impulsos filosóficos
Pra eu melhor entender, explique melhor o que quer dizer com ?a filosofia não é uma profissão?.
Paulo Giraldelli - Filósofo não é profissional. Filósofo é filósofo. Não se pode transformar a filosofia em profissão, seria ridículo isso. O filósofo deve procurar uma profissão para viver. Pode ser mecânico, médico, garçom ou professor. Pode ser editor, tradutor, bailarino ou deputado. Em tudo isso, sendo filósofo, a filosofia contará, jogará seu papel. Eu sou escritor. Vivo do que escrevo. É claro que minha experiência com filosofia me ajuda a escrever. Mas, em momentos em que não pude escrever, tentei viver fazendo outras coisas. Ninguém pode receber do governo ou de uma empresa para ser filósofo. Quem aceita isso não é filósofo. O Brasil tem poucos filósofos exatamente por isso: o governo e a universidade ganham as pessoas pelo bolso e este é um órgão ligado ao coração e ao cérebro, então, quando esses intelectuais acordam, eles continuam intelectuais, mas não podem mais ser filósofos - viraram marionetes de partidos, instituições etc. Depois, eles tentam se convencer que tais partidos e instituições defendem aquilo que eles defenderiam se não estivessem atrelados a eles. Mentira, pura mentira.
Filósofo também não é autodidata, muito menos solitário. Filósofo tem de ter formação e isso se faz junto de outro filósofo e em diálogo público - em guerra. Wittgenstein estava certo ao dizer que um filósofo que nunca esteve em polêmicas era como um lutador que nunca subiu ao ringue. No mundo atual, encontram-se filósofos cuja profissão é de ser professor. Essas pessoas iniciam outros na vida filosófica, no curso acadêmico. Agora, se seus iniciados vão ser filósofos, depende deles próprios, de como se conduzem com inteligência, sentimento e coragem.
Ghiraldelli, como você define o tipo de filosofia que faz?
Paulo Giraldelli - A filosofia que desenvolvo é a que batizei como desbanalização do banal. Ela é feita a partir da história da filosofia e de seu contato com o cotidiano. Faço diferente da filosofia crítica (Kant-Marx) e da filosofia como terapia (Wittgenstein). No primeiro caso, há a saída da Caverna (Ideologia) para o encontro com o Real, no segundo há a dissolução dos problemas filosóficos a partir da linguagem. No meu caso, tomo o que é muito visto, não o que é oculto ou o que estaria mascarado, tomo o que é não interessante, o que é banal para, então, redescrevê-lo (Rorty) e formular narrativas que possam desbanalizá-lo, torná-lo algo que levem as pessoas a não mais tropeçar neles como banais. Fiz isso em dezenas de livros, especialmente no O corpo, da Ática, e no A aventura da filosofia, da Manole. Também é Filosofia e história da educação brasileira (Manole) há esse procedimento.
Que filósofos e pensadores o senhor tem mantido interlocuções mais próximas?
Paulo Giraldelli - Um filósofo que foi meu amigo, falecido recentemente, que me deu muito que pensar e fazer: Richard Rorty. Ele mostrou o valor da imaginação, o poder da redescrição e uma forma de narrativa especial. Outro pensador que me ajudou, e que morreu muito jovem: Alberto Tosi Rodrigues, meu parceiro no Centro de Estudos em Filosofia Americana (CEFA)(
http://cefa.weebly.com). Atualmente, uma interlocutora e amiga que aproveito muito: Susana da Castro, filósofa que trabalha na UFRJ. Minha esposa Fran é, também, outra grande interlocutora. Ela filósofa, produz o Hora da Coruja, um talk show de filosofia na ALL TV todo sábado ao meio dia (
http://alltv.com.br). Isso desperta muito a nossa inteligência filosófica, pois é uma conversação filosófica livre, sem acordo prévio. Nosso programa é interativo e o debate com o público, dirigido pela Fran, faz seguirmos novos rumos e revermos constantemente posições. Filosofia sem revisão e mudança de posições não é filosofia, é esclerose mental.
Para que rumos vai o Brasil, na sua opinião?
Paulo Giraldelli - A questão brasileira que me preocupa, entre outras, é que "apesar de tudo que fizemos ainda somos iguais aos nossos pais". Ou talvez sejamos piores. Em outras palavras: nossa esquerda ainda não se deu conta do valor da liberdade, e a deixa ser bandeira da direita. Esse é um ponto que tenho enfocado. Outro é o conservadorismo da juventude, imersa cada vez mais em uma linguagem que não a deixa criar vivências. Isso se ampliou de uns tempos para cá, inclusive com o crescimento da religião não reflexiva no Brasil.

Quase duas toneladas de sibutramina – medicamento anorexígeno que atua como inibidor de apetite – e cerca de 3,5 toneladas de antidepressivos foram consumidos no Brasil em 2009. Os dados foram apresentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), durante a divulgação do primeiro relatório do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC).
A sibutramina foi proibida em países da Comunidade Europeia e teve sua restrição ampliada nos Estados Unidos. No Brasil, o medicamento só pode ser vendido com a apresentação de receituário especial, de cor azul, de acordo com norma publicada ontem (30) no Diário Oficial da União.
O relatório da Anvisa inclui o consumo de mais três psicotrópicos anorexígenos – a anfepramona, o femproporex e o mazindol. De acordo com os dados, foram consumidos 1,9 tonelada de sibutramina no ano passado. No mesmo período, o consumo de femproporex chegou a 1 tonelada, o de anfepramona, a 3 toneladas, e o de mazindol, a 2,3 quilos.
A agência reguladora monitorou ainda o uso do cloridrato de fluoxetina e do cloridrato de metilfenidato, que são, respectivamente, um antidepressivo e um estimulante do sistema nervoso central utilizado para combater o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. No ano passado, 3,5 toneladas do antidepressivo e quase 175 quilos do estimulante foram consumidos.
Segundo a Anvisa, a fluoxetina apresenta indícios de abuso e desvio de uso para outras finalidades. Já o metilfenidato é foco de estudos e questionamentos sobre a utilização em massa e efeitos secundários. Esse medicamento vem sendo usado para emagrecer, por exemplo, por empresários e estudantes.
O relatório aponta que, entre os dez maiores prescritores de sibutramina no país, há um médico especialista em medicina de tráfego (que trata da mobilidade humana). No caso da anfepramona, entre os dez maiores prescritores há um ginecologista e um gastroenterologista. Entre os dez maiores prescritores de femproporex, há um dermatologista e entre os dez maiores prescritores de mazindol, há um pediatra.
O consumo indevido de medicamentos em geral – sobretudo de psicotrópicos – é considerado pela Anvisa um problema de saúde pública. Em 2006, a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes da Organização das Nações Unidas (ONU) indicou o Brasil como maior consumidor mundial de anfetaminas com finalidade emagrecedora, com um total de 9,1 doses diárias para cada mil habitantes.